sexta-feira, 22 de junho de 2012

POUCAS PALAVRAS, GRANDES ASSUNTOS - 16

      Temos o desejo de controlar muitas coisas, mas a felicidade está, muitas vezes, no fato de apenas caminharmos. A vida é cheia de alegrias e de dores, acima de tudo, cheia do mistério do qual ela veio e faz parte. Se aprender a viver bem já é uma disciplina difícil, imagine ter todos os conhecimentos! Não, definitivamente não precisamos de tantos conceitos, muito menos de tamanho controle. Acredito que para viver com qualidade é só tornar-se apaixonado por toda a vida e pela vida toda e também aprender mais e mais, o quanto for possível, com o Amor. Nele está o segredo de tudo. E nós ainda estamos pequenos neste amor. Queremos controle, deveríamos querer amar mais, e isto nos bastaria. Há mais uma palavra; o amor é a verdade, não os nossos caprichos desgovernados.

Pe. Rômulo Azevedo da Silva

quinta-feira, 14 de junho de 2012

POUCAS PALAVRAS, GRANDES ASSUNTOS - 15

      Deus é soberano, muitas vezes os seus caminhos são desconhecidos para nós, pelo menos em parte. Ele não tem nenhuma obrigação de nos dizer tudo ou, sequer, o mínimo. Tudo que o Senhor faz e diz é amor e misericórdia. Assim, quando Deus silenciar, e isto é um fato às vezes, não perca a esperança. Aproveite, abra mais os olhos, certamente Ele esteja querendo que você veja, não que escute, ou, simplesmente, espere em vez de procurar sem saber o que. Há uma realidade maior, Deus nos ama, isto basta. Mas também Ele é a liberdade, Ele é Deus e nós somos d'Ele. É, em alguns momentos temos que esperar. Amém!

Pe. Rômulo Azevedo da Silva

segunda-feira, 11 de junho de 2012

POUCAS PALAVRAS, GRANDES ASSUNTOS - 14

       Para muitas pessoas tudo é fácil. Penso que esta facilidade é sinal de quem ainda não buscou verdadeiramente. Se lemos os maiores pensadores, líderes ou escritores do mundo, mesmo que com palavras diferentes, percebemos a presença da labuta em suas histórias e ensinamentos. O nosso Senhor Jesus Cristo nos disse que teríamos provações. Poucas coisas são fáceis. Amor, perdão, felicidade, amizade, relacionamentos, perseverança... são realidades que gastam e desgastam, que encantam e metem medo. Nada que plenifica o homem é barato ou fácil, mas possível, especialmente para aquele que conta com a esperança e a graça que vem de Deus.

Pe. Rômulo Azevedo da Silva

quinta-feira, 7 de junho de 2012

“CORPUS CHRISTI” Mais do que uma festa, um chamado!


               Nós, cristãos católicos, celebraremos a Solenidade do Corpo e Sangue do Senhor. Todos os anos a Igreja nos coloca diante de um dos maiores mistérios de nossa fé, como também diante de dezenas de partilhas e textos que nos ajudam a viver bem este dom. Com tantas propostas boas e ricas interpretações, decidimos partilhar não a história, nem o que significa, mas o efeito que esta festa deve produzir em nós.
          Não podemos nos esquecer que todas as festas e solenidades querem, pelo conhecimento, encontro e experiência, nos levar a sermos a continuidade, testemunho vivo do que estamos celebrando. Todos os momentos da vida de Cristo são presentes e chamados amorosos do Pai para que o imitemos profundamente. “Corpus Christi” não é para ver, mas para ser. Podemos nos lembrar de várias partes do nosso patrimônio de fé ao falarmos do Corpo e Sangue do Senhor. Mas e depois?
          Após a Santa Missa vamos sair pelas ruas de nossas cidades com o Santíssimos Sacramento, Jesus vivo no Sacramento da Eucaristia. Como sairemos? Para que sairemos com Jesus pelas ruas? São questões que gostaria que fossem assumidas.
          Toda a liturgia nos faz ver que se Jesus Cristo, o verdadeiro e eterno sacerdote entrou definitivamente no santuário para nos livrar da antiga condenação, nós, redimidos pelo seu Sangue, devemos viver uma vida nova (Hb 9, 11-15). Em toda a Sagrada Escritura, especialmente pelo ministério de seu Filho, podemos encontrar as maravilhas que o Senhor fez e faz a nosso favor. Tudo para que vivamos uma vida plena, repleta de verdade e amor. Cristo nos remiu, nos libertou para que pudéssemos tomar posse da verdadeira felicidade. Tudo o que Ele fez foi para que tivéssemos condições de ter a vida que o Pai pensou para nós no ato da Criação. A liberdade que Jesus nos deu de presente, especialmente por sua Paixão, Morte e Ressurreição, é um dom gratuito inesgotável. Quando lemos que Ele nos deu seu Corpo e Sangue devemos agradecer, mas também não esquecermos que se Ele se deu por inteiro, não poupando sequer seu próprio Corpo e Sangue, assim, devemos valorizar este amor que nem merecíamos. Como? Realizando o trabalho que Ele realmente deseja de nós: que sejamos felizes, que cresçamos, que amemos... Deus não precisa de nada, não quer nos tomar nada, pelo contrário, quer nos dar tudo, o tudo que Ele é. Por isto se deu e continua se dando em sua Palavra, em seu Corpo e Sangue, para que neste diálogo de amor com Ele nos tornemos parte de seu coração santo, de sua santidade.
          Jesus, quando nos alimenta, quer que sejamos plenos como Ele, pois só assim o homem terá o que deseja. Devemos comer o Corpo e o Sangue de Cristo para, alimentados, nos tornarmos como ele. “De fato, se o sangue de bodes e touros e a cinza de novilhas espalhada sobre os seres impuros os santificam, realizando a pureza ritual dos corpos, quanto mais o sangue de Cristo purificará a nossa consciência das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!” (Hb 9, 13s).
          A Igreja é também o Corpo Místico de Cristo. Se como Igreja saímos pelas ruas de nossas cidades dizendo que acreditamos neste alimento, mais ainda devemos dizer, com atitudes e ações, que estamos realmente nos alimentando de tudo que este Corpo é. É uma aberração comer do Corpo e Sangue de Jesus e não querer ser santo n’Ele, amar como Ele nos amou e entregar-se como Ele entregou-se. Os nossos irmãos do Antigo Testamento viviam purificações rituais, nós vivemos o próprio Senhor. Nenhum de nós pode reclamar que não recebeu o que era necessário para viver bem, nenhum de nós pode dizer que não tem o que comer ou beber para que a própria existência se mantenha forte e inabalável. Não podemos continuar nos aproximando deste alimento eterno se não temos o desejo de receber os frutos que d’Ele brotam, isto é, uma consciência nova, atitudes renovadas, desejo de renunciar aos estados de morte que nos afastam do Deus vivo. Pois não é Deus que se afasta de nós, mas nós que perdemos a oportunidade de aproveitar tudo que Ele quer ser para nós e em nós quando nos deixamos levar por propostas, atitudes e pensamentos que não condizem com o que Deus é.
          Ressoará em nossos ouvidos, como ressoa em cada Santa Missa, o convite e a auto-doação de Cristo: “Jesus tomou um pão e pronunciou a bênção. Depois, partiu o pão e deu-lhes, dizendo: “Tomai, isto é o meu corpo” (Mc 14,22). Caberá a cada um de nós decidir como comeremos este alimento. O Corpo e Sangue de Cristo e para nós uma proposta de vida ou o vemos como um amuleto sagrado, ritual mágico para nos proteger ou emocionar? O Corpo e Sangue de Cristo é toda a sua história, toda a sua vida, palavras, ações, tudo o que Ele fez para a nossa Salvação. Quando o recebemos estamos, também, disponibilizando tudo que somos para a edificação de todo o Corpo que a Igreja, estamos nos doando, a partir de uma mudança de vida, ao mundo ou pensamos que estamos usurpando o poder de Deus? Que a Misericórdia de Deus nos ajude a encontrá-lo sem reservas. Amém!


Pe. Rômulo Azevedo da Silva

sexta-feira, 1 de junho de 2012

POUCAS PALAVRAS, GRANDES ASSUNTOS - 13

       Nem sempre sabemos o que fazer diantes de dificuldades e preocupações, uma decisão, porém, tem que ser clara, a de continuarmos vivendo. Só se pode viver pelo e para o amor e, mesmo que este se manifeste nos relacionamentos humanos, sua fonte é Deus. Ninguém merece nossa degradação, nenhum ser humano tem direito sobre nós ou precisa nos ver mendigando um pouco de atenção ou amor. Infelizmente o estilo de mundo que temos coloca vários seres humanos num estado de miséria e putrefação histórica. Se há algo que você pode fazer por você mesmo (mesma) é não permitir que esta realidade o (a) atinja. Ame-se e viva por Deus e por você. Permita que os outros participem do seu amor e de sua vontade de viver, jamais deixe que eles esgotem isto em você. Deus nos conduza sempre.

Pe. Rômulo Azevedo da Silva

sábado, 26 de maio de 2012

LEMBRANÇAS


            Há algumas lembranças que nunca nos deixam, umas são ruins e outras boas. É bom acreditarmos que tudo pode ser aproveitado para o nosso crescimento. Mesmo as nossas feridas podem tornar-se experiência de vida para nos impulsionar para frente. Alguns dos momentos que vivemos vão nos acompanhar para sempre. Santo Tomás de Aquino, um grande santo para nós católicos, reconhecido e estudado pela teologia, pela filosofia e por outras ciências, dizia algo que nos ajuda em muitas questões: “há uma diferença entre o sentir e o consentir”.  É uma grande verdade! Só que temos que ter um pouco de habilidade na arte da vida para sabermos lidar com tudo, mesmo as feridas vão ser lembradas sempre, pelo menos enquanto tivermos uma boa mente. A maneira como as lembramos e, principalmente, que atitude vamos tomar quando lembramos é o mais importante. Podemos sentir raiva, por exemplo, mas não permitirmos que ela nos destrua é o segredo.
          Gostamos muito dos assuntos ligados ao crescimento psicológico humano, mas o que desejo neste encontro é mais simples, é uma outra parte no campo das lembranças. Falamos do que podemos fazer com nossas lembranças porque é sobre uma delas que desejo tratar. É evidente que, estando no campo de minhas próprias experiências, está ligada à minha interpretação. Diante do fato narrado, cabe a você, querido leitor, tirar suas conclusões.
          Quando estava vivendo o meu ministério em Ouro Branco, no período de 2005 a 2008, se não me falha a memória, ia de carro de Jardim do Seridó a Ouro Branco, era um final de tarde. Comigo ia Marcondes de Equador, meu afilhado de Crisma, e um senhor que ia para uma das comunidades daquele município. Em um trecho da estrada nos aproximamos de uma família, à nossa frente, em uma moto. Era o pai, guiando o veículo, a mãe e uma linda criança, bem segura, em seu colo, de modo que, como íamos todos bem devagar, dava para vermos bem a criança, como também dava para ela nos ver. Não quero entrar na questão se era seguro ou não para aquela criança viajar deste jeito. O interessante é que quando percebemos a criança estava fazendo o sinal de saudação para todos nós do carro, “dando tchau”, como dizemos no popular. O sorriso daquela criança nunca saiu do meu pensamento. Retribuímos o gesto, e, entre sorrisos e palminhas, ela nos dava os braços, como que dizendo que tinha coragem de pular se pudesse. E teria, pois uma criança é pura e sempre confia. O fato foi este, tão simples, tão cheio de significados.
          Aquela criança, de no máximo três anos de idade, me fez naquele dia uma pregação do Evangelho tão forte que nunca esqueci. Algumas pessoas de Ouro Branco lembram, com certeza, de uma homilia que fiz meditando este acontecimento. Em pequenos toques Deus nos dá a oportunidade de vermos como é o homem, como Ele pensou, como Ele nos criou e, também, como nos tornamos muitas vezes. Vivemos naquele dia uma verdadeira aula de vida, aprendemos a ciência do amor de um pequeno coração que nem sabia ainda ler ou escrever. Aquela criança não tinha, naquele tempo, contato com nenhuma de nossas ciências, mas nos deu uma “bofetada” do que é viver, do que deve ser a vida de todos nós, isto é, confiança, capacidade de aproveitar os momentos, desejo de comunicar-se, entrega, acolhimento... o que tanto podemos ver naquele desejo de brincar, de ser uma criança?
          Entre tantas possibilidades de interpretação o que podemos pensar? Que mesmo estando em um veículo que ela não dominava, mesmo não estando sentindo o chão em seus pés para lhe dar segurança, ela sentia-se plenamente segura, afinal estava no colo da mãe, laçada pelos braços da mãe, tendo à frente o pai. O mais interessante foi a capacidade de acolher estranhos que a criança tem. Certamente alguns podem dizer que é isto que  as tornam desprotegidas, é verdade, mas também é isto que as tornam a esperança, é isto que nos dão a possibilidade de ver como éramos quando puros, quando acreditávamos na fantasia, no amor, quando o outro era nosso amigo, igual a nós e não um inimigo perigoso. Ela não nos conhecia, mas antecipou-se, comunicou-se e sorriu. Como poderíamos ser assim, mesmo que um pouco!
          A verdade é que o tempo passa, e muitas vezes, em vez de crescer em todos os níveis, murchamos, deixamos a rotina nos roubar a capacidade de ver o outro como um irmão, morador de nossa grande casa. Pelas dores e feridas nos fechamos, paramos de acreditar até em nós mesmo, quando mais no outro! Aquela criança tinha motivos para ter medo, mas ela acreditou na segurança dos pais, ela tinha motivo para ter medo de nós, mas foi ela quem nos atingiu com o seu amor cativante. As crianças estão prontas para acolher, mesmo que briguem e se zanguem, estão prontas para perdoar e recomeçar. Não desejo esgotar, e nem poderia, as possibilidades desta minha visão, para mim positiva; deixo o mais para cada leitor, como já disse. Esta história me faz lembrar de Jesus Cristo. Deixo que Ele fale e conclua esta minha lembrança.
          “Naquela hora, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles e disse: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes e não vos tornardes com crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Quem se faz pequeno com esta criança, esse é o maior no Reino dos Céus. E quem acolher em meu nome uma criança como esta, estará acolhendo a mim mesmo” (Mt 18, 1-5).

Pe. Rômulo Azevedo da Silva

quinta-feira, 24 de maio de 2012

POUCAS PALAVRAS, GRANDES ASSUNTOS - 12

       Hoje em dia tem muita gente achando que é brincadeira resolver a vida dos outros. Cresce cada vez mais o número de conselheiros, "pais e mães", súper religiosos, adivinhos, etc. Todos querem dizer algo para solucionar a vida do outro. O engraçado é que não sabemos resolver nem as nossas, quanto mais a dos outros! Não é brincadeira isto, uma palavra pode ajudar e pode destruir uma vida e uma história. Pense muito bem antes de sair dando conselhos e querendo entrar no mistério do outro, pois cada homem e cada mulher é um mundo inesgotável, encantador e cheio de desafios. É melhos caminhar ao lado, somente, sem querer resolver, dar respostas ou receitas prontas. Seria bem melhor ajudarmos as pessoas a chegarem a Deus, só Ele pode resolver. Ele é a melhor pessoa para nos ajudar verdadeiramente, com Ele estaremos mais seguros, nos resolveremos melhor. Deus nos conduza sempre.

Pe. Rômulo Azevedo da Silva